Magia no Deserto Profundo

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Era imensamente rico e poderoso.

Era um Príncipe vitorioso, acabara de vencer mais uma das suas muitas batalhas.

Sentia-se amado por todos, querido das suas mulheres, olhava com ternura e segurança os filhos que ia tendo.

Decidindo tudo, cuidando de todos, sentia-se forte, dizia-se feliz.

E também os Senhores, todo o seu Povo, todos o adoravam pela protecção e riqueza que ele lhes trazia.

Contudo, tendo tudo o que materialmente pudesse sonhar, chegou um dia em que sentiu um mal estranho, um mal que não conseguia perceber, era um mal que se ia agravando.

Por fim, sentiu-se mesmo doente e de tal modo que já prevendo a própria morte, se via obrigado a prever o futuro da sua própria família.

Como convinha, como tinha de ser, escondia de todos o seu sofrer.

Pela tradição, os Senhores e até o Povo, não aceitavam fraqueza nos seus reis.

Mas o sofrimento evoluiu, tornou-se-lhe atroz, inaudito, obrigando-o, com mil cuidados e o maior disfarce, a consultar os mais notáveis médicos e curandeiros do seu reino e, depois, mesmo os de fora do seu país.

Pagando generosamente os seus serviços, sujeitando-se a tudo, a todos os tratamentos, contudo, não sentia alívio, o seu mal agravava-se.

Mas, por fim, encontrou um homem discreto, pobre, um simples beduíno, mas um homem sábio, que lhe mostrou compreensão. Disse-lhe que o seu mal ainda não era físico, que era um “mal de alma”, de espírito, que o poderia vir a destruir. Por fim disse-lhe que só ele mesmo se poderia curar, mas que, para isso, ele precisava de aprender e esquecer muitas coisas, que só a simplicidade do seu espírito o poderia ajudar.

E ele, o Príncipe, experimentou, aceitou, avançou, recuou, retomou e foi lá pelo deserto profundo da sua própria consciência e foi também no deserto real, no profundo Senhor Deserto, que ele viu o começo do surgir da sua paz, de uma paz verdadeira, por via do entendimento e aceitação.

No “divã”, aprendeu a sonhar e a deixar vogar livremente o pensamento até à fantasia do absoluto, a não temer de modo algum o que pensava, a aceitar, livremente, o devaneio.

Aí, não procurava nada. As coisas começaram a vir e a resolver-se por si.

O tempo retrocedeu. Revivendo muito que já esquecera, foi de novo menino

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Diz-se, de si mesmo, como tendo sido sempre um “aprendiz”, particularmente interessado nos “Mistérios da Existência” - Universo Profundo, Pensamento, Consciência.

«Somos grãos no mundo de um grão de poeira soprado pelos Eternos Ventos Universais»

Informação adicional

Dimensões (C x L x A) 15 × 23 cm

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