Noites Brancas
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Durante as luminosas noites de verão em São Petersburgo, um jovem solitá rio passa os dias a vaguear pela cidade e a refugiar-se na imaginação. Numa dessas noites, encontra Nástienka, uma jovem em lágrimas, à beira de um canal. Depois de a ajudar a livrar-se de um homem que a incomoda, os dois começam a conversar. Rapidamente nasce entre eles uma cumplicidade inesperada e combinam voltar a encontrar-se nas noites seguintes. Ao longo de quatro encontros, ele fala-lhe da sua vida solitária e da forma como vive mais nos sonhos do que na realidade. Nástienka revela-lhe a sua própria história: vive com a avó, que a mantém sob vigilância constante, e apaixonou-se por um inquilino da casa. Antes de partir para Moscovo, esse homem prometeu voltar ao fim de um ano para casar com ela, promessa que Nástienka continua a esperar que se cumpra. A proximidade entre os dois cresce e ele acaba por se apaixonar, e, por um momento, ela parece considerar a possibilidade de esquecer o passado e começar uma nova vida ao seu lado. Mas, quando o homem por quem ela esperava finalmente regressa, Nástienka corre ao seu encontro, deixando-o sozinho.
Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 11.11.1821 - S. Petersburgo, 09.02.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, exemplificada em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para a Escola Militar de Engenharia. de S. Petersburgo. Aí lhe desperta a vocação literária, ao entrar em contacto com outros escritores russos e com a obra de Byron, Vítor Hugo e Shakespeare. Terminado o curso de engenharia, dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida e estreia-se em 1846 com o seu primeiro romance, Gente Pobre. Após mais umas tentavivas literárias, foi condenado à morte em 1849, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. No entanto, a pena foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante os seus anos de degredo teve uma vida interior de caráter místico, por ter sido forçado a conviver com a dura realidade russa, o que também o levou a familiarizar-se com as profundezas insuspeitas da alma do povo russo. Amnistiado em 1855, reassumiu a atividade literária e em 1866, com Crime e Castigo, marca a ruptura com os liberais e radicais a que tinha sido conotado. As obras de Dostoiévski atingem um relevo máximo pela análise psicológica, sobretudo das condições mórbidas, e pela completa identificação imaginativa do autor com as degradadas personagens a que deu vida, não tendo, por esse prisma, rival na literatura mundial. A exatidão e valor científico dos seus retratos é atestada pelos grandes criminalistas russos. Neste grande novelista, o desejo de sofrer traz como consequência a busca e a aceitação do castigo e a conceção da pena como redentora por meio da dor.
Informação adicional
| Dimensões (C x L x A) | 15 × 23 cm |
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