As Ilhas (Des)Conhecidas
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As Ilhas (Des)Conhecidas é uma novela gráfica coral que sobrepõe passado e presente ao ritmo das nove cores-ilha que Raul Brandão eternizou em 1926. Cada escala da rota original (do “cinzento graduado até o infinito” que só pertence aos Açores, a “luz tão verde que chega a dominar o cinzento” que vê em Santa Maria, as “flores violeta e verde com rochas violeta” da ilha das Flores, passando pela Madeira de hortênsias tardias, luz esplêndida e radioactiva e “ar de perfume gordo”) é ilustrada por artistas diferentes, permitindo ao leitor situar cada salto no tempo, na paleta cromática e no ponto de vista dos narradores.
Intervalos poéticos sobre as tonalidades insulares intercalam-se com as observações contemporâneas dos protagonistas e com a crónica histórica das viagens de Raul Brandão, com ecos de pesca da baleia convertidas em “whale-watching”, levadas transformadas em trilhos ecológicos e terras onde “a volúpia do exterior está de acordo com a exaltação íntima e o universo vibra dentro em nós até à dor.” A
linguagem própria da banda desenhada — páginas duplas, sequências de vinhetas em formatos diferentes, interrupções da narrativa antes da viragem de cada página, permite expandir os textos de Raul Brandão e mostrar como estas ilhas continuam fascinantes e de certa forma, ainda desconhecidas, mesmo depois de se tornarem destino turístico e bandeira identitária.
A narrativa é conduzida por dois primos da diáspora atlântica que só conheciam os arquipélagos através de um exemplar herdado de “As Ilhas Desconhecidas” e de histórias contadas pelos avós antes de adormecer ou em cozinhas longínquas: ele (Tony), neto de açorianos radicados em Boston; ela (Fátima), neta de madeirenses que partiram para a Venezuela na década de 1950. Em 2026 (centenário da viagem de Brandão) decidem finalmente visitar estas ilhas desconhecidas, trocando e-mails e mensagens de WhatsApp enquanto percorrem, em paralelo, partes do itinerário do escritor. Cada primo relata as suas descobertas ao outro: hortênsias que resistem ao betão, montanhas que agora têm escadas, tarifa de entrada e mapas com QR-codes, terras ainda verdes onde o gado geneticamente testado produz leite
puro A2/A2, festas do Espírito Santo onde tocam DJs. Ao contrastarem a realidade de hoje com as páginas sublinhadas do livro que os uniu, convidam o leitor a refletir sobre o que muda e o que permanece numa geografia que é sombra, farol, saudade e promessa — e sobre como, cem anos depois, continuar a escrever “quase sem retoques” as ilhas que julgávamos conhecer.
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Roberto Macedo Alves nasceu em 1975, é licenciado em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico e tem desenvolvido inúmeras atividades bem como publicações na área da Banda Desenhada desde o ano 2004, quando fundou a Livraria Sétima Dimensão.
Informação adicional
| Dimensões (C x L x A) | 22 × 29,5 cm |
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